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Nosly lança Parador com show no TAA

25 outubro 2011

 
Parador, terceiro disco do cantor, compositor e violonista maranhense Nosly e o primeiro com foco mais direto no público brasileiro tem finalmente seu show de lançamento em São Luís. O músico se apresenta neste sábado (29), no Teatro Arthur Azevedo, acompanhado de Victor Bertrami na bateria, Ney Conceição no baixo e Kiko Continentino no piano. A formação enxuta ganha o reforço extra do guitarrista Toninho Horta.

Parador é um namoro escancarado com o pop. Tudo nele, da embalagem aos arranjos é um afago aos ouvidos volúveis destes tempos rápidos e rasteiros. Só que Nosly, cidadão do mundo da música, acumulou bagagem pesada nas tantas horas de voo de sua considerável trajetória internacional, e não foi fácil reduzi-la ao essencial. O resultado traz ganhos evidentes para o universo pop.

O caso de Nosly é singular, apesar dos muitos pontos de convergência com tantos nomes surgidos ou de carreiras consolidadas na última década, que vitaminaram a canção brasileira com fartas doses de lirismo e poesia, a exemplo do parceiro de início de jornada, Zeca Baleiro, mas também Chico César, Otto, Lenine, Rita Ribeiro, Vander Lee  e tantos outros.

Violonista de amplos recursos e melodista idem, Nosly viu seu caminho pender naturalmente para o lado instrumental, e só aos poucos foi se revelando intérprete de igual solidez. Em Parador, ele encontrou seu ponto de fusão. O disco transborda esse contentamento, de quem trabalhou duro para sentir-se à vontade em um ambiente relativamente novo.

A canção que dá nome ao disco, composta com Gerude e Luís Lobo, é exemplar nesse sentido. Estilosa e grudenta no melhor sentido, traz uma alegria contida em seus acordes menores, mas exaltada na linha vertiginosa do baixo fankeado, de resultado irresistível. Graças a esses atributos, a canção começa a despontar como hit nos dials locais.

Uma lista de preferências poderia prosseguir em ordem aleatória com Aquela Estrela. A canção que abre o CD pode até agradar geral, mas pode ser melhor apreciada por quem estava saindo da adolescência nos anos 80 em São Luís, tempos de desafogo, em que a música local também queria novos cheiros e cores. Nosly viveu esse momento, e a releitura tem sabor de tributo merecido.

Impossível não destacar Oh baby perdoe, historinha romântico-proletária capaz de derreter corações radiofônicos com sua orquestração acústica e teclado baladeiro, bem como Versos perdidos, regravação de sua parceria com Baleiro e Fausto Nilo, sucesso de Baladas do Asfalto. Nosly sai dignamente da inevitável comparação.

O contrabaixo do rastaman maranhense Gérson da Conceição por si só justificaria a presença da versão do sucesso do Toto, I’ll be over you, no disco, mas o fato é que a versão ficou bem bacana e pra cima.

Importante destacar, por se tratar de um artista à primeira vista mais associado à construção melódica, a preocupação de Nosly – e não somente neste disco – em privilegiar o texto, procurando a companhia de artífices da palavra (cantada ou não) e poetas da canção. Em Parador, a lista é longa: Zeca Baleiro, Fausto Nilo, Chico César, Fernando Abreu, Sérgio Natureza e Olga Savary.

Apesar de Doer, parceria com Vanessa Baumagny, e Aldeia, que Nosly divide com o poeta Celso Borges e que ganha o reforço de Zeca Baleiro na gravação são os dois momentos mais sublimes do disco. Sublimidade que às vezes só a melancolia pode atingir e que reforça um possível conceito a respeito deste disco: pop sim, descartável jamais.

Serviço

O quê: Parador – show delançamento do CD
Quando: 29 de outubro (quinta-feira)
Onde: TAA
Horário: 21h
Valor do Ingresso: R$ 30,00

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Vitor Ramil e Marcos Suzano em ‘Satolep Sambatown’

3 agosto 2010

Foto: divulgação

Finalmente chega a São Luís o show do cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil e do percussionista Marcos Suzano,  no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro), no dia 19 de agosto (quinta-feira), às 21h. O show será baseado no aclamado trabalho em duo, do CD intitulado Satolep Sambatown.

Como o nome indica, o disco nasceu do encontro do universo, muito particular, desses dois artistas. De Satolep, cidade imaginária de Vitor – Pelotas, sua cidade natal, escrita de trás para frente, também tema e nome da novela de sua autoria lançada pela editora Cosac&Naify –, vem a Estética do Frio, com arpejos em cordas de aço, harmonias abertas, melodias hipnóticas, letras cheias de poesia. De Sambatown, (a) cidade (do samba) imaginária de Suzano, vem seu pandeiro único no centro de uma arquitetura rítmica em que sons acústicos dialogam com ondas sonoras vindas do mundo da eletroacústica.

Vitor e Suzano têm ambos um pé na tradição musical de seus lugares de origem e outro no contexto da experimentação, das invenções mais radicais. Em Satolep Sambatown os dois tocam todos os instrumentos e assinam a produção.

O repertório do disco traz 11 canções de Vitor, entre elas, Livro Aberto, Invento, Astronauta lírico, Viajei e 12 segundos de oscuridad, esta em parceria com o compositor e cantor uruguaio Jorge Drexler, que também participa do disco como intérprete – pela primeira vez cantando em português. Ele divide com Vitor os vocais de A zero por hora. A outra participação especial é a da cantora carioca Kátia B, que canta com Vitor em Que horas não são?

Voz, violões de aço, percussão e efeitos eletrônicos. É com esses elementos, e mantendo sempre a formação em duo, que Vitor Ramil e Marcos Suzano recriam no palco a música produzida em Satolep Sambatown.

No roteiro, todas as canções do disco. Além dessas, novidades, releituras de canções de outros discos de Vitor como Não é Céu, Foi no mês que vem e Neve de Papel.

A iluminação é de Marcelo Linhares e o cenário de Isabel Ramil e Luiza Mendonça.

SERVIÇO:
VITOR RAMIL E MARCOS SUZANO
Show de lançamento do CD SATOLEP SAMBATOWN

Local: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro).
Dia: 19 de agosto (quinta-feira).
Horário: 21h.
Ingressos: R$ 30,00 (metade para estudantes com carteira), à venda na Taco (São Luís Shopping) e na bilheteria do teatro.
Produção: Ópera Night.
Maiores informações: (98) 8137-7452, 8888-3722, zemaribeiro@gmail.com

Lírica batucada: Vitor Ramil e Marcos Suzano se apresentam em São Luís

28 julho 2010

O compositor gaúcho Vitor Ramil e o percussionista carioca Marcos Suzano revivem Satolep Sambatown, disco que lançaram juntos em 2007, e outras fases de suas carreiras solo.

Em 2007 o gaúcho Vitor Ramil se uniu ao carioca Marcos Suzano e o resultado foi Satolep Sambatown, disco miscigenado por excelência: da milonga ao choro, passando por samba e eletrônica, tudo cabia no balaio sonoro da dupla, que ousou experimentar. Belo resultado.

Depois do disco e de alguns shows, cada um seguiu seu rumo. O percussionista tocando com “Deus e o mundo”, como sempre fez: entre outros, Marisa Monte, Lenine, Zeca Baleiro e Gilberto Gil. O violonista, compositor e escritor nos brindando com o belíssimo Délibáb (Núcleo Contemporâneo, 2010), em que interpreta poemas que musicou do argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho João da Cunha Vargas – disco que tem a participação especial de Caetano Veloso. 

Em agosto São Luís será a Satolep Sambatown de Marcos Suzano e Vitor Ramil. Foto: Blogue do Mauro Ferreira

Agora os dois se reencontram e chegam à São Luís. A capital maranhense, mais especificamente o palco do Teatro Arthur Azevedo, será a Satolep de Ramil – Pelotas, sua cidade natal, escrita de trás para frente, batizando-lhe selo e livro (CosacNaify, 2008) – a “cidade do samba” (tradução possível de Sambatown) de Suzano.

A dupla apresentará em show, dia 19 de agosto (quinta-feira), às 21h, músicas de Satolep Sambatown e de outros discos de Vitor Ramil e Marcos Suzano – que produzem e tocam os instrumentos daquele álbum –, sem dúvida um encontro histórico da música brasileira.

A delicadeza do violão e das criações líricas de Vitor Ramil somadas ao “armamento” percussivo de Marcos Suzano certamente agradará aos apreciadores de boa música da cidade.

Serviço – Vitor Ramil e Marcos Suzano se apresentam dia 19 de agosto (quinta-feira), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Show de abertura: Alberto Trabulsi. Ingressos: R$ 30,00 (metade para estudantes com carteira), à venda na bilheteria do TAA. Maiores informações: (98) 8137-7452, 8888-3722, zemaribeiro@gmail.com

“Samba de Minha Aldeia” – O Show

28 junho 2010

Lena Machado apresenta ao vivo repertório de seu segundo disco. Samba de Minha Aldeia já é sucesso nacional.

Samba de Minha Aldeia. Capa. Reprodução

O título não entrega o ouro: seria óbvio demais batizar de Samba de Minha Aldeia um disco (só) de sambas. Com desenvoltura e, de já, boa repercussão, Lena Machado passeia por samba, choro, blues, baião, citações de salsa, pitadas eletrônicas, sem perder as referências das raízes musicais da cultura popular do Maranhão, de cujos ritmos o disco está também impregnado.

De seu estado natal, aliás, a cantora recruta todos os compositores por ela gravados neste segundo disco, entre representantes da velha guarda e da jovem vanguarda da música popular maranhense, que listamos aqui sem distinção entre os grupos: Aquiles Andrade, Bruno Batista, Cesar Teixeira, Chico Canhoto, Chico Nô, Gildomar Marinho, Joãozinho Ribeiro, Josias Sobrinho, Patativa e Ricarte Almeida Santos.

Com arranjos e direção musical de Luiz Jr. (violão e viola caipira), o time de bambas que emoldura a bela voz de Lena Machado é outra primorosa seleção, na qual se destacam Rui Mário (sanfona), Luiz Cláudio (percussão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Thales do Valle (trompete), João Neto (flauta), Analício (clarinete), Guilherme Raposo e Franklin Santos (efeitos eletrônicos), George Presunto (trombone). O trabalho contou ainda com as participações especiais de Netinho Albuquerque (pandeiro) e Henrique Martins (violão sete cordas), em Chorinho de herança (Ricarte Almeida Santos/ Chico Nô) e Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete) em Colher de chá (Patativa).

Se compositores, repertório e instrumentistas são luxos e primores, o projeto gráfico não poderia ser diferente: assinado por Waldeilson Paixão, traz fotografias de Rivânio Almeida Santos que captam o clima de Botequim (título de choro de Cesar Teixeira gravado por Lena) do Bar do Léo, misto de bar e museu, espécie de “academia musical” encravada no coração do Vinhais, um dos bairros mais tradicionais de São Luís.

A cantora Lena Machado no clique de Rivânio Almeida Santos

Repercussão – Lançado em janeiro de 2010, em concorrida sessão de audição e noite de autógrafos realizadas no mesmo Bar do Léo que lhe serve de cenário, Samba de Minha Aldeia tem encontrado boa repercussão no cenário nacional.

O disco já foi tocado em webrádios e rádios em São Luís, Brasília e Rio de Janeiro, onde arrancou elogios do jornalista e produtor Nelson Motta. Na internet, também, o disco já está disponível para download em vários blogues que o disponibilizam gratuitamente. A cantora diz não se incomodar: “É uma forma de nossa música, da música do Maranhão chegar a mais gente. É claro que no disco original há outros elementos, informações, um projeto gráfico bonito. O ideal é baixar para conhecer e depois adquirir o original”, opina.

Em São Luís está à venda na Livraria Poeme-se (Praia Grande), no Bar do Léo e na TVN (São Francisco). Esta última, com a Pousada Portas da Amazônia, co-patrocinou a finalização do disco, cuja gravação foi possível graças a um edital da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão ainda em 2008.

História – Lena Machado nasceu em Zé Doca, no interior do Maranhão, onde começou a cantar, integrando grupos da Igreja Católica, sobretudo das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Depois de tentar uma carreira na própria cidade natal, veio para São Luís trabalhar na Cáritas Brasileira Regional Maranhão, onde está até hoje.

Sua trajetória musical nunca esteve dissociada de sua atuação no campo social, na busca por justiça e pelo fim das desigualdades. Na capital maranhense teve suas primeiras incursões pela música no aniversário de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), em fevereiro de 2005 e no projeto SESC Meio Dia, no SESC Deodoro, no ano seguinte.

Em 2006 lançou Canção de vida, sua estreia, onde emprestou a voz a diversos clássicos da música brasileira que embalam a luta dos movimentos sociais e de trabalhadores, sobretudo de compositores maranhenses – Cesar Teixeira (Oração latina, hino de onde é tirado o verso-título, Flanelinha de avião), Chico Canhoto (Sem resposta), João do Vale (Minha história, Carcará), Joãozinho Ribeiro (Milhões de uns) – mas passando por Gonzaguinha (Pense n’eu, O que é, o que é?), Jurandy da Feira (Terra, vida e esperança) e Sá e Guarabira (Sobradinho).

O convívio com o ambiente musical, sobretudo com músicos de uma maneira ou outra vinculados ao Clube do Choro do Maranhão, garantiu a Lena Machado um amadurecimento percebido quando se comparam os dois trabalhos – o primeiro também teve repercussão nacional e foi lançado, além de em São Luís, em Aracaju/SE e Brasília/DF.

O show – Para marcar o lançamento oficial de Samba de Minha Aldeia, Lena Machado escolheu o palco do Teatro Arthur Azevedo. “É um dos mais belos teatros do Brasil, um dos mais antigos e tem uma energia positiva. Muita coisa importante para a música do Maranhão e do Brasil aconteceu aqui. É inspirador cantar aqui”, revela.

Além do repertório do disco, que será interpretado na íntegra, Lena Machado cantará também obras de compositores como Antonio Vieira e Chico Maranhão, além de surpresas que fará ao público. A cantora contará com as participações especiais de Aquiles Andrade, Célia Maria, Léo Spirro e Patativa.

“Aquiles representando a nova geração de talentos maranhenses que tem surgido, um dos compositores que gravei. Célia, Spirro e Patativa [esta a única compositora gravada por Lena] são, cada um a seu modo, grandes mestres da música produzida aqui, personagens importantíssimos, tenho aprendido muito com eles”, conta emocionada.

Com produção de Lena Machado e Ruber Produções e direção musical de Luiz Júnior, Samba de Minha Aldeia, o show, tem patrocínio de TVN.

Design: Waldeilson Paixão

Serviço – O show de lançamento de Samba de Minha Aldeia acontece dia 7 de julho (quarta-feira), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Os ingressos custam apenas R$ 20,00 (meia para estudantes com carteira) e estão à venda na Livraria Poeme-se (Praia Grande) e na bilheteria do TAA. Patrocínio: TVN.

Assessoria de comunicação: Zema Ribeiro – (98) 8888-3722, zemaribeiro@gmail.com

Antonio Vieira é homenageado no Clube do Choro Recebe

25 maio 2010

Falecido em abril do ano passado aos 88 anos, Vieira teria completado 90, no último 9 de maio – compositor permanece vivíssimo em sua vasta obra musical.

Mestre Vieira em uma de suas apresentações no Clube do Choro Recebe

Antonio Vieira nasceu em São Luís em 9 de maio de 1920. “Menino pobre criado por família rica”, como gostava de contar, compôs sua primeira música aos 16 anos: Mulata bonita. Viu-a e ouviu-a fazer sucesso na década de 40 do século passado: brilhou no palco da Rádio Timbira, acompanhada ao piano pelo então também jovem Sivuca, de passagem por São Luís para uma temporada no Casino Maranhense. “O mestre da sanfona, adivinhando-lhe o talento, dissera, na ocasião que Vieira iria ser um grande compositor. Cumpriu-se a profecia”, como conta outro grande compositor, Cesar Teixeira, no encarte da Antoniologia Vieira, tributo em disco produzido pelo maestro Adelino Valente há dez anos, reunindo um expressivo contingente de artistas maranhenses para reverenciar o autor de Tem quem queira – esta, não incluída naquela antologia.

O reencontro dos mestres Antonio Vieira e Sivuca nos ensaios de gravação de "O samba é bom"

É Adelino Valente quem comanda um time de primeiríssima linha que repetirá parte da Antoniologia no palco do Clube do Choro Recebe, neste sábado, 29, às 19h30min, na Associação do Pessoal da Caixa (APCEF), no Calhau (Rua José Luiz Nova da Costa, esquina com Rua dos Carcarás, em frente ao Barramar). Com Vieira (percussão), Valente (bandolim) fundou o Regional Tira-Teima, em fins da década de 1970, mais antigo grupamento de choro em atividade em São Luís – embora já sem a sua formação original, que incluía ainda nomes como Chico Saldanha, Ubiratan Sousa e Cesar Teixeira.

Outra das antológicas aparições de Mestre Antonio Vieira no palco do Clube do Choro Recebe

Outro grupo integrado por Adelino Valente foi o Insensatez, reeditado para este sábado com nova formação: além dele próprio (piano, direção musical), Arlindo Carvalho (percussão), Caio Carvalho (percussão), Rogério Leitão (bateria), Antonio Paiva (contrabaixo), Paulo Trabulsi (cavaquinho) e Luiz Jr. (violão) receberão os intérpretes Célia Maria, Chico Saldanha, Cláudio Lima, Josias Sobrinho, Léo Capiba, Léo Spirro, Luiz Mochel, Rogéryo du Maranhão, Ticiana Valente, Tutuca e Zeca do Cavaco, que irão prestar homenagem a Mestre Antonio Vieira, falecido em 7 de abril de 2009.

Não faltarão ao repertório temas como Poema para o azul, Cocada, Mocambo, Nordeste seco, Vou pro mar, Olha a nêga, Na cabecinha da Dora, O samba é bom, Ingredientes do samba, Samba de Nêgo e Mulata bonita, entre muitas outras da vasta lavra de Seu Vieira.

“São mais de 300 composições, a grande maioria ainda desconhecida do grande público”, afirma Adelino Valente, produtor desta espécie de “Antoniologia ao vivo”. Ele relembra emocionado: “Nossa amizade vem desde a década de 70, quando fundamos o Tira-Teima. Eu era bandolinista, Vieira percussionista e até então ninguém conhecia música nenhuma dele. Depois de dois ou três anos de convívio, ele começou a mostrar umas coisas e a gente ficou encantado. Eu sempre disse que um dia a gente ia fazer um disco com aquela obra. Demorou, mas saiu”.

Homenagens a Vieira continuarão, segundo Adelino Valente

Segundo Adelino, este show – que remonta parte do espetáculo realizado no Teatro Arthur Azevedo, trazendo algumas novidades – é parte de uma homenagem maior ao “velho moleque”. Entre os vários projetos há o de se fazer um Volume 2 da Antoniologia e um cd instrumental só com composições do autor de Banho cheiroso.

O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF) e parceria da Solar Consultoria e JL Music Studios.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 118ª. edição.
Quem: o grupo Insensatez recebe vários cantores e cantoras em homenagem a Mestre Antonio Vieira.
Quando: dia 29 de maio (sábado), às 19h30min.
Onde: Associação do Pessoal da Caixa (APCEF), Rua José Luiz Nova da Costa, Calhau (esquina com Rua dos Carcarás, em frente ao Barramar).
Quanto: R$ 10,00 (entrada).
Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.com
Apoio Cultural:
TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF).
Parceria: Solar Consultoria e JL Music Studios.

Nonato Buzar: encontrando amigos

1 abril 2010

Compositor maranhense radicado no Rio de Janeiro faz três apresentações no Maranhão: duas em São Luís e uma em Itapecuru-Mirim, sua cidade natal. Reencontro com amigos, parceiros e as plateias maranhenses.

Foto: Google Images

Radicado no Rio de Janeiro, o compositor Nonato Buzar (foto) é um dos maranhenses mais gravados no Brasil. Suas obras constam dos repertórios de nomes como Alcione, Cauby Peixoto, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Ivan Lins, Jair Rodrigues, João Nogueira, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento, MPB-4, Nana Caymmi, Nelson Gonçalves, Os Cariocas, Roberto Ribeiro, Rosinha de Valença e Wilson Simonal, entre outros. Fora do país, suas músicas já foram cantadas por Jimmy Cliff e o grupo Santana.

Com toda essa bagagem, acumulada em mais de 50 anos de carreira – morou em Paris na década de 1970 e lá gravou Via Paris, com o conjunto País Tropical, um de seus discos mais conhecidos – Nonato Buzar reencontra o público maranhense em três shows, intitulados Encontro com Nonato.

Via Paris. Capa. Reprodução

As duas primeiras apresentações acontecem no Teatro Arthur Azevedo, dias 6 (terça) e 7 (quarta-feira), às 21h, com as participações especiais de Beto Pereira, Gerude, Josias Sobrinho, Nosly e Rogério du Maranhão. Os ingressos custam R$ 25,00 para qualquer dependência do teatro.

Dia 9 (sexta-feira) é a vez de Itapecuru-Mirim, cidade natal do artista, receber o show, que acontece no Itapecuru Social Clube, às 21h – ingressos: R$ 15,00. Lá, Nonato Buzar, que tem parcerias com todos os convidados, divide o palco com Nosly, o parceiro mais constante.

História – Nonato Buzar nasceu em Itapecuru-Mirim em 1932, tendo se mudado para o Rio de Janeiro em 1953, onde foi aprovado no vestibular para Engenharia. Desistiu do curso e dedicou-se à música.

Ainda nos anos 1950 iniciou sua carreira artística, apresentando-se em boates como Little Clube e Bottle’s, no famoso Beco das Garrafas. Em 1965 assinou a contracapa do disco 400 anos de samba, de Elizeth Cardoso – uma de suas intérpretes –, que comemorava os quatro séculos da “cidade maravilhosa”.

Em fins dos anos 1960 idealizou, produziu e integrou o conjunto A Turma da Pilantragem. Foi produtor musical nas gravadoras PolyGram e RCA Victor e realizou discos de nomes como A Turma da Pilantragem, Banda do Canecão, Festival Internacional da Canção, Jair Rodrigues, Jimmy Cliff e Wilson Simonal, para citar alguns.

Nonato Buzar é ainda um dos compositores com mais passagens por aberturas de novelas da Rede Globo. São dele os temas Irmãos Coragem (com Paulinho Tapajós), Assim na terra como no céu (com Roberto Menescal e Paulinho Tapajós), Verão vermelho, O homem que deve morrer (com Torquato Neto), todos aberturas de novelas homônimas. Esteve presente ainda em trilhas sonoras de O cafona, Minha doce namorada e Anjo mau.

Ainda na TV Globo, compôs trilhas para os programas Brasil Pandeiro, Saudade não tem idade e Chico City, este último protagonizado por parceiro seu: o humorista e compositor Chico Anísio.

Em seu disco de estréia (2003) Maria Rita gravou Menininha do Portão (Nonato Buzar/ Paulinho Tapajós). O disco teve a expressiva vendagem de 350 mil cópias dois meses após o lançamento.

SERVIÇO

O quê: Show Encontro com Nonato.
Quem: Nonato Buzar com participações especiais de Beto Pereira, Gerude, Josias Sobrinho, Nosly e Rogério du Maranhão (em São Luís) e Nosly (em Itapecuru-Mirim).
Quando: dias 6 (terça) e 7 (quarta-feira) no Teatro Arthur Azevedo (em São Luís) e dia 9 (sexta-feira) no Itapecuru Social Clube (em Itapecuru-Mirim).
Quanto: R$ 25,00 (para qualquer dependência do Teatro Arthur Azevedo) e R$ 15,00 (Itapecuru Social Clube). Meia para estudantes.
Maiores informações: (98) 8137-7452.

A ceia dos excluídos no Arthur Azevedo

25 setembro 2009
Memórias da última ceia: arte engajada. Cartaz. Reprodução

Memórias da última ceia: arte engajada. Cartaz. Reprodução

Memórias da Última Ceia é o espetáculo que a Companhia de Dança Olinda Saul apresenta dias 26 e 27 de setembro, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo, com roteiro de Cesar Teixeira, coreografia de Hélio Martins e direção geral de Olinda Saul. No elenco, 23 jovens oriundos do Projeto Dança Criança, que atende alunos de escolas públicas da periferia de São Luís.

O balé contará com a participação especial dos atores Auro Juriciê e Silvana Cartágenes, interpretando personagens emblemáticos do lixão, além do bailarino e coreógrafo Hélio Martins e da pequena Alicia Saul. “Nosso maior objetivo é despertar o interesse das novas gerações de artistas, bailarinos, estudantes e da juventude em geral pelas questões sociais e ambientais”, explica Olinda Saul.

Cesar Teixeira diz que o espetáculo foi inspirado no poema Lixopping e na música Shopping Brazil, ambos de sua autoria,  e busca chamar a atenção para um problema social que a cada dia se agrava no Brasil: a miséria de uma parcela da população que, para sobreviver, depende dos lixões existentes nas zonas urbanas.

“Trata-se de um balé que mostra a realidade dos lixões brasileiros, onde a fome e a miséria não estabelecem diferença entre bichos e seres humanos. É uma fratura exposta”, ressalta.

A montagem refaz a rotina existente em torno de um grande monte de lixo para onde afluem diariamente pessoas e bichos que disputam os dejetos. Um conflito se estabelece entre os tiranos do lixão e seus habitantes, que são manipulados como marionetes, mas buscam a liberdade através de uma insurreição para garantir o espaço conquistado.

Drama social – Conforme a UNICEF, 45 mil crianças e adolescentes brasileiros vivem da garimpagem do lixo, distantes do lazer e das escolas. Por isso, em 16 de junho de 1999, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou a campanha “Criança no Lixo, Nunca Mais”, acreditando que até 2002 esta situação seria revertida.

Infelizmente, isso não aconteceu. A população dos lixões aumentou, juntamente com o desemprego e a situação de penúria de 33 milhões de brasileiros que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, vivem abaixo da linha da pobreza.

Por essa razão, a degradação ambiental e o drama dos que dependem do lixo para sobreviver há muito vem motivando não só organizações civis e religiosas, mas também diversos setores dedicados à arte, a enfrentarem criticamente o problema. É o caso dos artistas que se reuniram para encenar Memórias da Última Ceia.

O espetáculo busca sensibilizar a opinião pública para a problemática social dos lixões, como forma de estimular debates em torno do tema, denunciando o processo de negação da cidadania no Brasil e nos países do Terceiro Mundo, penalizados com a globalização espúria da economia.

A coreógrafa Olinda Saul, que desenvolve o Projeto Dança Criança desde 1996, para atender alunos carentes, decidiu adotar o tema pela dimensão social que incorpora, e também para dar oportunidade aos jovens que integram o projeto de vivenciarem no palco cenas que alguns deles conhecem tão bem, mostrando que é possível ter esperança.

“São realizações como esta que permitem crianças e adolescentes do nosso estado resgatar a sua cidadania pela dança”, enfatiza Olinda Saul.

Sinopse – O espetáculo inicia quando um novo descarregamento mobiliza urubus e cães, que são expulsos pelos catadores de lixo, que recolhem roupas para vestir, abandonando ali seus trapos. Festejam as novidades com uma alegre orgia, interrompida por um personagem que sai de dentro do monturo: o Rei do Lixo, com seu manto feito de detritos industriais.

Esse personagem representa os Estados conservadores do Terceiro Mundo, submissos ao capitalismo internacional. Uma pessoa rebelada tenta e não consegue matar o rei, que manda prendê-la. Um representante do governo federal surge para decretar a privatização do monte de lixo e “resolver a questão” colocando-o à venda, o que provoca uma rebelião geral que reúne pessoas e bichos.

É organizada uma passeata visando envolver a opinião pública, onde se gritam as palavras de ordem: “O lixo é nosso!”

SERVIÇO

Memórias da Última Ceia

Elenco: Alyson Trindade, Carolina Barbosa, Dariel Novack, Eduardo Mello , Eleomar Durans, George Nascimento, Iara Teixeira, Janaina Martins, Jéssica Marieta, Joel Farias, Katiane Jardim, Luiza Gomes, Marlon Aspin, Monalisa Rubi, Richardson Araújo, Roberta Gamboa, Thaís Augusta, Sanndy Brandão, Suelma Cutrim, Thalita Alves, Thayna Alves, Thiago Gomes, Wanderson Mendes. Participação Especial: Hélio Martins (como Rei do Lixo), Alicia Saul, Silvana Cartágenes e Auro Jurassiê.

Dias 26 e 27 de setembro
Local: Teatro Arthur Azevedo
Hora: 20h
Ingresso (preço único): R$ 20,00