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Abertas as inscrições para o VIII Seminário Mídia, Infância e Adolescência no Maranhão

22 setembro 2011

Com o tema “Infância e (Des)igualdade Étnico-racial”, o evento acontece em São Luis (MA) nos próximos dias 27 e 28 de setembro.

A Agência de Notícias da Infância Matraca, em parceria com Terre des hommes, Rede Amiga da Criança e UNICEF, realiza, nos dias 27 e 28 de setembro, o VIII Seminário Mídia, Infância e Adolescência no Maranhão.  Este ano o seminário vai discutir o tema “Infância e (Des)igualdade Étnico-racial”.  O evento acontece no auditório do Ministério Público, em frente à Faculdade São Luís (Canto da Fabril), na Rua Grande.

Destinado principalmente a profissionais, estudantes e pesquisadores da área de comunicação e também de direitos humanos, o seminário começará com um debate sobre o tema Comunicação e (des)igualdade étnico-racial no Brasil (uma leitura de realidade). A palestra inicial será ministrada pela professora do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Rosane Borges. Como parte da programação, ainda vão ser oferecidas duas oficinas: “Como me vejo na mídia? Qual a cor da mídia?” e “Qual o papel do comunicador na construção da igualdade étnico-racial?”

O evento conta com o apoio da Faculdade São Luís, do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA), do Ministério Público e da Oficina de Imagens.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio do telefone: 3254 -0210 ou pelo e-mail: agencia@matraca.org.br.

A realização do Seminário tem o objetivo de contribuir para que os direitos de crianças e adolescentes sejam abordados de forma mais ampla e com qualidade pelos meios de comunicação, aprimorando os conhecimentos dos estudantes e comunicadores a respeito do tema, aumentando a divulgação de informações qualificadas para a sociedade e propiciando um espaço competente para discussão contínua da formação desses profissionais. O Seminário pretende, ainda, melhorar a relação entre entidades de defesa dos direitos infanto-juvenis e a imprensa.

O coordenador executivo da Agência Matraca, Marcelo Amorim, observa com muita clareza uma das principais finalidades do Seminário: “Nós só poderemos cobrar da imprensa uma correta contextualização das notícias sobre infância e adolescência, divulgando, propagando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e provocando discussões como essa que propomos no evento deste ano, que é Infância e Desigualdade Étnico-racial”, esclarece.

Para Ivana Braga, jornalista e articuladora da Rede Amiga da Criança, a temática do Seminário 2011 é mais do que oportuna. “Neste momento de significativos avanços que a sociedade brasileira tem dado para igualar oportunidades e reparar erros históricos, o Seminário levanta uma temática fundamental para nós, ativistas de direitos humanos, estudantes e profissionais de comunicação, na medida em que nos convida a refletir sobre qual espaço é destinado hoje na imprensa à população infantojuvenil negra e indígena, principalmente, e como os comunicadores e comunicadoras estão colaborando para desconstruir ou reforçar o racismo na sua prática diária”, comenta.

Veja abaixo a programação completa do Seminário.

Local: Auditório do Ministério Público – Rua Grande – Centro – São Luis (MA)

27 de setembro de 2011 (terça-feira)

9h – Painel 1- Conferência de abertura: Comunicação e (des)igualdade étnico-racial no Brasil (uma leitura de realidade). Palestrante: Rosane Borges. Debatedores: Socorro Guterrez (Centro de Cultura Negra-MA), Prof. Francisco Gonçalves (UFMA), Rose Panet  (Professora da Faculdade São Luís) e Margareth de Jesus (psicóloga).

12h – Intervalo para o almoço.

14h – Oficina “Como me vejo na mídia? Qual a cor da mídia?” Coordenação: Rede Amiga da Criança.

17h30 – Encerramento.

28 de setembro (quarta-feira)

9h – Painel 2 – A atuação da mídia e novas possibilidades. Campanha “Por uma infância sem racismo” – UNICEF.

11h – Debate com o público.

12h – Intervalo para o almoço.

14h

Oficina 1 – “Como me vejo na mídia? Qual a cor da mídia?” Coordenação: Rede Amiga da Criança.

Oficina 2 – “Qual o papel do comunicador na construção da igualdade étnico-racial?” Coordenação: Agência Matraca. Facilitadora: Milena Reis.

17h30 – Encerramento.

A resposta do MST/MA ao jornal O Globo/RJ

5 março 2009
O jornal O Globo (RJ), publicou na última terça-feira (3), na página 5 da seção O País, o texto abaixo, assinado pelo jornalista Raimundo Garrone.
No Maranhão, MST toma partido de governador
Movimento, que tem contrato com estado e disputa outros 5, mobiliza sem-terra contra cassação de Jackson Lago
 
Raimundo Garrone*
 
SÃO LUÍS. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixou em segundo plano as ocupações de fazendas no Maranhão e se engajou na luta política contra a possível cassação do governador Jackson Lago (PDT), que deverá ter seu caso julgado hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O MST mobiliza centenas de sem-terra para acampar em frente ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual, em defesa de Lago, que pode ter o mandato cassado por abuso de poder econômico.
 
– Não defendemos o governo Jackson, mas a democracia e a vontade popular – diz Maria Divina Lopes, uma das coordenadoras do MST no Maranhão.
 
Maria Divina diz que a mobilização não tem relação com as parcerias do movimento com o governo estadual. Uma delas foi fechada em 2008, na presença de João Pedro Stédile, um dos coordenadores do MST, e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Na ocasião, foi assinado convênio com o governo do Maranhão para a implantação de um projeto de alfabetização de adultos importado de Cuba e da Venezuela – batizado de “Sim, eu posso” – que, segundo o movimento, acabou com o analfabetismo nos dois países.
 
O MST organizou o acampamento nas duas outras sessões que ocorreram para julgar o caso no TSE, adiado devido a pedido de vista e falta de quórum. Em todas essas ocasiões, Stédile participou dos acampamentos.
 
Segundo o relator do processo, ministro Eros Grau, Lago deve perder o mandato e dar posse à segunda colocada nas eleições de 2006, a senadora Roseana Sarney (PMDB). Essa, segundo os integrantes do MST, é outra razão para a defesa de Lago.
 
– Além disso, estamos contra o retorno da família Sarney ao governo do estado, pois, durante os 40 anos de seu domínio, o Maranhão foi completamente arruinado – disse Pedro Alves Barbosa, também coordenador do MST no Maranhão.
 
Para acompanhar o julgamento, o MST mobilizou cerca de 200 sem-terra do interior do estado, que armaram barracas em frente à sede do governo.
 
Após contrato de R$500 mil, MST tenta mais R$2 milhões
O convênio para o programa de alfabetização foi de R$500 mil e, segundo o MST, alfabetizou 1.236 trabalhadores sem- terra, dos 1.546 inscritos em oito meses de projeto em 55 assentamentos e 16 acampamentos no estado. O MST ainda aguarda respostas para outros cinco projetos, no valor total de R$2 milhões, nas áreas de caprinocultura e hortaliças.
 
Maria Divina disse que novas negociações estão sendo feitas com o governo para levar o programa de alfabetização a mais cinco mil sem-terra.
 
Os vídeos com aulas do programa foram produzidos em Cuba, em 2005, por artistas populares brasileiros patrocinados pelo próprio MST. Além de TV e DVD, as aulas são monitoradas por coordenadores que fazem o acompanhamento pedagógico. Sobre os outros cinco projetos nas áreas de caprinocultura e hortaliças, Pedro Alves diz que o MST participou de um edital lançado pelo governo estadual em julho de 2008 para realizar convênios com recursos do Fundo Maranhense de Combate à Pobreza.
 
– Três dos cinco projetos foram devolvidos para ajustes, o que foi devidamente feito ainda no mês de setembro. Mas, até agora, nada – lamenta Pedro Alves.
*Especial para O Globo

“]Matéria na página 5 da seção O País, n'O Globo de terça-feira (3)
Matéria na página 5 da seção O País, n’O Globo de terça-feira (3)

 

Abaixo, a íntegra da carta que o MST/MA enviou à redação e aos editores do jornal:

*

RESPOSTA DO MST/MA AO JORNAL O GLOBO/RJ

O jornal O Globo da última terça-feira (3) publicou, na página 5 da seção O País, matéria intitulada No Maranhão, MST toma partido de governador, assinada pelo jornalista Raimundo Garrone. Com a não-circulação d’O Globo em bancas da capital maranhense (conforme informaram-nos diversos jornaleiros consultados em busca da edição impressa do jornal), tivemos acesso ao texto exclusivamente por e-mail (cópia digitalizada da edição impressa).

O texto não nos causa maiores estranhamentos, por conta do tratamento sempre dispensado pelos meios de comunicação de direita ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST). Inclusive o trecho inicial da matéria – “O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixou em segundo plano as ocupações de terra”… – é um claro exemplo do desconhecimento e preconceito vigentes. Cabe, no entanto, esclarecer alguns pontos:

1) o jornalista induz o leitor a acreditar que a defesa que o MST faz do mandato do governador Jackson Lago (que viria a ser cassado em sessão na mesma data da citada edição do jornal) se dá meramente por interesses pecuniários; conforme explícito noutro ponto da matéria, no depoimento da companheira Maria Divina Lopes, “não defendemos o governo Jackson, mas a democracia e a vontade popular”.

2) o citado convênio com o governo do Estado para o programa “Sim, eu posso”, de alfabetização de adultos, já está encerrado (o texto permite pensar que o mesmo ainda está em curso), com os positivos resultados apontados ao longo da matéria: 1.236 trabalhadores alfabetizados entre os 1.546 inscritos.

3) o MST/MA não tem convênio vigente com o Governo do Estado do Maranhão.

4) entendemos que o jornalista, funcionário da Secretaria de Comunicação do Estado do Maranhão, usou o MST – e informações obtidas junto a ele – para fazer, em âmbito nacional, a defesa intransigente do mandato do governador Jackson Lago, de forma acrítica.

Só nos resta lamentar pelo profissional, pelo veículo e solicitar e esperar que o segundo publique esta carta.

Atenciosamente,

Coordenação
MST/MA