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Filme sobre a Casa das Minas é lançado em São Luís

15 dezembro 2010

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Casa das Minas é um dos mais antigos, respeitados e expressivos terreiros de todo o Brasil. Sua riquíssima história recebeu recorte em documentário cujo título é Casa Das Minas – Os voduns reais de São Luís, que terá lançamento nesta quarta-feira, 15, às 19h, em sessão especial, aberta ao público, no Cine Praia Grande, situado no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande).

O filme, com duração 85 minutos, tem narrativa com base na pesquisa a partir da obra de Hubert Fichte (1935–1986), que, trinta anos atrás, vivenciou o templo e escreveu suas impressões no estilo “etnopoesia”, tornando-se um clássico da literatura alemã.

Documentário sobre a Casa das Minas será lançado hoje em São Luís

Pela primeira vez houve permissão para o registro de alguns dos ritos cerimoniais e cânticos em língua africana, únicos da Casa das Minas. O filme traz depoimentos das chefes espirituais da Casa – juntamente com o professor e antropólogo Sérgio Ferretti – que contam a comovente trajetória do templo, desde a sua fundação, passando por perseguição e submissão, até os dias de hoje, com a perspectiva para a transformação da Casa em museu.

A obra mostra o manejo consciente das duas “vodúnsis” com o declínio do culto, ao qual elas dedicaram e dedicam toda sua vida. Devido às consequentes mudanças sociais em contraponto aos rígidos preceitos de devoção e retidão espirituais, elas abdicaram da continuidade. O culto e os complexos conteúdos da religião irão perecer com suas derradeiras filhas-de-santo.

Casa Das Minas – Os voduns reais de São Luís é um filme de Edith Leimgruber, Hili Leimgruber e Jens Woernle, suíços, que conquistaram a confiança dos membros da Casa das Minas, graças a uma estreita amizade, cultivada há quase 20 anos. “Estávamos cientes do dilema entre curiosidade e respeito pela opção de isolamento feita por elas, tratamos com muito cuidado a idéia da realização do filme. Entretanto, durante nossa pesquisa para o mesmo, pudemos perceber que também por parte da líder espiritual Dona Deni, existe um crescente interesse na divulgação de um legado filmado, o que tornou esse projeto possível”, afirma Edith Leimgruber.

Transcendência da pessoa (quando seu corpo é apoderado pelo vodum), coexistência do cristianismo e das religiões africanas (sincretismo), ambivalência do sistema de tratamento médico-psicológico, tanto através da manipulação de ervas quanto dos assentamentos e invocações, e a controvérsia da fidelidade à tradição junto à conscientização da própria morte são assuntos pertinentes neste trabalho.

A Casa das Minas, na esquina do Beco das Minas e Rua de São Pantaleão

A Casa das Minas foi fundada no início do século XIX por africanos escravizados da etnia Jeje, Ewe ou Eoué, procedentes do Daomé, atual República do Benin, que a denominavam de Querebentã de Zomadonu. É considerado um grupo fechado, de grande fidelidade à própria tradição, e mesmo com o passar dos anos, não existem concessões ou adequações à vida e ritos do culto às diferentes épocas.

É o terceiro do Livro de Tombo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ao lado do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho Ilê Axé Iyá Nassô Oká, tombado em 1987, e do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em 1999, ambos de Salvador (BA).

Saiba mais

Os protagonistas

Dona Deni Prata Jardim – Dona Deni é a chefe espiritual da Casa das Minas e, há décadas, melhor conhecedora da religião e seus complexos fundamentos e rituais. Nasceu em 1926, em Rosário, no Maranhão. Ainda criança entrou para a Casa das Minas. Com 17 anos recebeu sua primeira manifestação do vodum “Lepon”. Enquanto fiel sucessora de Dona Andreza, lendária dirigente e mentora, ela lidera já há mais de 20 anos a Casa das Minas. Dona Deni foi a principal informante de Hubert Fichte, ao qual ela estava ligada por mútuo reconhecimento intelectual, mas também por desconfiada provocação de ambas as partes.

Dona Maria Celeste Santos – Dona Celeste representa a Casa das Minas para fora. Ela organiza, dentre outras, as grandes “Festas do Divino”, cerimônias celebradas anualmente e que atraem centenas de convidados. Há 15 anos Dona Celeste viajou juntamente com o antropólogo Sérgio Ferretti para a África Ocidental, e se pôs no encalço de suas raízes africanas. Com seu jeito correto, mas também prático e realista, ela relata com prazer e minuciosamente sobre os festejos e casos da Casa das Minas.

Dr. Sérgio Ferretti – O antropólogo Sérgio Ferretti se dedica há décadas a extensas pesquisas sobre a Casa das Minas. Ele é profundo conhecedor das religiões afrobrasileiras e desenvolveu, juntamente com Hubert Fichte, um intensivo intercâmbio durante o trabalho deste em São Luís. Suas pesquisas em muito contribuíram para o hoje amplo reconhecimento do significado da Casa das Minas. Sérgio Ferretti leciona Antropologia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Hubert Fichte (1935–1986) – Hubert Fichte foi uma personalidade controversa na literatura alemã do pós-guerra. Ao lado de sua atividade literária (dentre outras obras, o best seller A Palheta) e jornalística (revistas Spiegel, Stern etc.) devotou grande interesse pelas culturas e religiões afroamericanas, as quais pesquisou durante 10 anos. Como pesquisador ele freqüentou por oito meses com sua companheira Leonore Mau o templo Casa das Minas. Os resultados de suas indagações e experiências vivenciadas foram documentados em forma de etnopoesia, estilo inventado por ele, uma mistura explicitamente não antropológica de poesia, entrevista, autobiografia e romance.

Créditos

Direção: Edith Leimgruber, Hili Leimgruber e Jens Woernle
Fotografia: Jens Woernle
Som: Nikolaus Woernle
Montagem: Hili Leimgruber e Jens Woernle
Cooperação científica: Prof. Sergio Ferretti
Tradução: Mércia Costa
Produção: Uma co-produção de Filmkollektiv Zürich AG e Petit Grégoire Videolabor, Zürich
Apoio: Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), Petit Gregoire Videolabor, Stiftung Hamasil, Hopping Mad GmbH, FTK Filmtechniker Kollektiv, Victorinox AG, FiftyFiftyFilm
Com a participação de: Dona Deni Prata Jardim, Dona Celeste Santos, Dona Maria Severina dos Santos, Euzebio Pinto, Prof. Sergio Ferretti, Erivone e Marjaine Sousa, entre muitos outros.
Duraçao: 85 minutos

Serviço

Lançamento do filme Casa das Minas – Os voduns reais de São Luís, de Edith Leimgruber, Hili Leimgruber e Jens Woernle
Dia 15 de dezembro (quarta), às 19h
Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande)
Capacidade: 120 lugares
Entada gratuita.

Release: Vanessa Serra
Fotos: divulgação.

“Café com Direitos Humanos” tem cultura na pauta

6 dezembro 2010

Exibição de documentário, lançamento de livro e disco e show musical compõem a programação, destacando a cultura maranhense

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)/Escritório Brasília reúne, sempre às últimas quartas-feiras do mês, militantes de direitos humanos e a comunidade em geral, no Café Cultural da Caixa, no Setor Bancário Sul.

O Café com Direitos Humanos pretende disseminar uma nova concepção de Direitos Humanos, que se contraponha à naturalização da violência, resgate a vida como um valor fundamental e incorpore as dimensões de direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. O acontecimento traz os direitos humanos numa perspectiva informal e com diferentes enfoques e expressões culturais.

Nesta quarta-feira (8) será realizada a segunda edição do Café com Direitos Humanos, a partir das 18h30min. Expressões culturais maranhenses serão fortemente manifestadas. “A partir da execução nacional do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, o Provita, pela SMDH temos um escritório em Brasília. É preciso valorizarmos o M de nossa sigla”, comenta a advogada Joisiane Gamba, da coordenação da entidade.

Às 18h30min será exibido o documentário Aperreio (2010, 20min.), curta-metragem de Doty Luz e Humberto Capucci, feito sob encomenda do Comitê de Monitoramento às Políticas Voltadas às Vítimas das Enchentes no Maranhão, integrado pela SMDH e outras entidades do movimento social maranhense. O filme conta, sob a ótica dos saberes e cultura populares, as tragédias por que passaram diversos municípios do Estado em 2008 e 2009.

Em seguida, a jornalista, socióloga e professora universitária Helciane Araújo lança seu livro Memória, mediação e campesinato: as representações de uma liderança sobre as lutas camponesas da pré-Amazônia maranhense. A obra, através da pesquisa de uma história de vida, traça uma análise sociológica das representações de uma liderança camponesa, Manoel da Conceição, sobre a sua trajetória de vida e a história política do Maranhão. Mané, como gosta de ser chamado, recebeu recentemente o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Manoel da Conceição é ainda homenageado pelo cantor e compositor Gildomar Marinho. O carimbó elétrico Batalha do cerrado, de seu segundo disco, Pedra de Cantaria, é uma espécie de microbiografia musical do líder camponês. O músico maranhense radicado em Fortaleza/CE lançará seu novo  disco no Café com Direitos Humanos. Ainda em dezembro ele fará show de lançamento em São Luís.

A SMDH – Criada em 12 de fevereiro de 1979, no bojo das lutas pela anistia, a SMDH configurou-se como uma entidade da sociedade civil de natureza pública e um espaço político de denúncia contra o arbítrio e a violência, fatos comuns durante o regime ditatorial. Para isso, adotou como uma das linhas de ação a assessoria jurídica e a formulação de denúncias e reivindicações oriundas das comunidades, junto aos governos.

A SMDH tem participado de redes temáticas de interesse técnico e institucional entre as organizações que defendem os direitos humanos e a natureza, tais como os Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural Sustentável, de Igualdade Racial,  e de Defesa dos Direitos Humanos. Integra a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

Casa Fanti Ashanti lança documentário e cd nesta sexta-feira (13)

11 agosto 2010

Festa de lançamento contará com pré-estreia do documentário Pedra da Memória, mostra fotográfica, lançamento do cd Boi de Encantado e apresentações do Bumba meu boi Garotos do Cruzeiro e Tambor de Taboca da Casa Fanti Ashanti

Nesta sexta-feira (13), os ludovicenses poderão conferir os resultados do projeto Pedra da Memória, que levou Pai Euclides Talabyan e uma comitiva da Casa Fanti Ashanti do Maranhão ao Benin. Coordenado pela musicista e pesquisadora Renata Amaral (d’A Barca) o projeto recebeu o Prêmio Interações Estéticas da Funarte/MinC, promovendo um profundo diálogo entre as culturas dos dois países.

Cerimonia Geledé em Sakete. Foto: divulgação

Ao longo de um mês, a equipe visitou as cidades de Cotonou, Abomey, Ketou, Porto Novo, Ouidah, Allada, Pobe e Sakete, realizando encontros e registros audiovisuais de diversas tradições como os toques de vodum, Zangbeto, Egungun, cerimônias geledés, música kudo e as tradições dos agudás, os afrobrasileiros do Benin, descendentes de ex-escravos e trabalhadores do tráfico escravagista que retornaram à terra natal quando a escravidão foi abolida.

Esta experiência transformadora resultou no documentário e na mostra fotográfica que terão pré-estreia na Casa de Nhozinho (Rua Portugal, Praia Grande). Dirigido por Renata Amaral e editado por Diana Gandra, o documentário traz um diálogo estético entre as tradições populares do Brasil e do Benin (África Ocidental), em uma aproximação poética e reveladora conduzida pela memória de Euclides.

Fruto ainda da residência artística de Renata na Casa Fanti Ashanti, que se tornou Ponto de Cultura em 2006, também será lançado no evento o cd Boi de Encantado, do tradicional Bumba meu boi Garotos do Cruzeiro, um registro inédito que inclui mais de 20 toadas representativas dos 56 anos de atividades do grupo, compostas por Pai Euclides e seus encantados.

O grupo se apresentará na ocasião, ao lado do Tambor de Crioula de Taboca Veneradores de São Benedito. Ambos são da Casa Fanti Ashanti.

Serviço:

O quê: Lançamento do documentário Pedra da Memória e do cd Boi de Encantado.
Quando: dia 13 de agosto (sexta), às 19h30min.
Onde: Casa de Nhozinho (Rua Portugal, 185, Praia Grande, fone: (98) 3218-9951).
Quanto: entrada franca.

Assessoria de imprensa e redação: Benedita Freire

Kleiton e Kledir lançam novo dvd em São Luís

9 março 2010

Dupla gaúcha lança Autorretrato, trabalho que celebra a amizade com timbres de pop sessentisa.

Kleiton e Kledir lançam novo dvd em show na Ilha. Foto: Lourenço Monte-Mór. Fonte: http://www.kleitonekledir.com.br

Com nove discos em dupla, além de um título em espanhol e do trabalho com o grupo Almôndegas e um disco solo de cada, Kleiton e Kledir vêm à São Luís com o show Autorretrato, de seu novo cd-dvd (2009), de repertório inédito.

Durante a apresentação, que acontece no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade, Aterro do Bacanga, ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande), além das músicas novas, não faltarão hits como Paixão e Deu pra ti, que marcaram sua carreira e a vida de muitos ouvintes nos anos 1980.

O show, aliás, é uma espécie de celebração aos 30 anos de carreira – não incluídos aí os anos de Almôndegas, nos idos 70 – que sofreu um intervalo entre 1989 e 1996, período em que ambos lançaram discos solo: Sim (1990, Kleiton Ramil) e Kledir ao vivo (1991).

Autorretrato, o dvd, traz canções inéditas e foi filmado como um documentário. Nele, os irmãos gaúchos contam a história das músicas, além de tocá-las. O valor da amizade e o prazer em compartilhar coisas íntimas é o clima que permeia o novo trabalho. A faixa-título é uma conversa entre amigos sobre isso.

Um disco contemporâneo com clima sessentista, na instrumentação que lembra bandas como os Beatles, eterna referência: violões, guitarras, violinos, pianos, harmônicas e percussão – não há bateria – enfeitam as composições e vozes de Kleiton e Kledir.

Lançado pela Som Livre, Autorretrato tem realização do Canal Brasil – cujo marco inaugural na produção de documentários foi Loki, que tem o eterno Mutante Arnaldo Baptista como protagonista.

Kleiton e Kledir apresentam o show Autorretrato dia 19 de março (sexta-feira), às 22h, no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade, Aterro do Bacanga, ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande). O maranhense Daffé abrirá o espetáculo. Ingressos à venda na loja Taco (São Luís Shopping). A produção é de Ópera Night. Maiores informações: (98) 8137-7452, 3244-3627.

Kleiton e Kledir vêm à Ilha em mais uma produção de Ópera Night

Redação e assessoria de imprensa: Zema Ribeiro