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Um “Sinhô” músico

24 março 2009

Um dos grandes violonistas brasileiros em todos os tempos, João Pedro Borges, o Sinhô, é o convidado da 74ª. edição do Clube do Choro Recebe.

Experiência. Assim pode ser traduzido o encontro do sarau deste sábado, 28, quando se realizará a 74ª. edição do Clube do Choro Recebe, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama), a partir das 19h.

O Regional Tira-Teima, mais antigo grupo de choro em atividade em São Luís, receberá o não menos hábil e ágil João Pedro Borges, um dos grandes nomes do violão do Brasil e do mundo.

Após passar por várias formações, o Regional Tira-Teima hoje conta com os afinados Paulo Trabulsi (cavaquinho solo), Zeca do Cavaco (cavaquinho centro), Francisco Solano (violão sete cordas), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (percussão).

João Pedro Borges: lenda viva do violão é o convidado do Clube do Choro Recebe

João Pedro Borges: lenda viva do violão é o convidado do Clube do Choro Recebe. Foto: Pedro Araújo. Acervo do Clube do Choro do Maranhão

Sinhô – apelido que João Pedro Borges ganhou ainda na adolescência – integra a tríade sacrossanta do violão maranhense, ao lado de Joaquim Santos, de quem foi professor, e Turíbio Santos, de quem foi aluno. Outro professor seu foi Jodacil Damasceno. Entre os alunos, diversos nomes do violão e da música popular brasileira: Raphael Rabello, Guinga, Cesar Teixeira e Josias Sobrinho, entre outros.

Temas autorais estão entre as peças que João Pedro Borges executará no Clube do Choro Recebe

Temas autorais estão entre as peças que João Pedro Borges executará no Clube do Choro Recebe. Foto: Pedro Araújo. Acervo do Clube do Choro do Maranhão

DISCOGRAFIA – Ao lado de Turíbio Santos, gravou diversos discos, merecendo destaque Choros do Brasil (1977) e Valsas e Choros (1979), onde os dois dão novas luzes à obra de nomes como Dilermando Reis, Heitor Villa Lobos, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, entre outros.

Em 1985, com participação do compositor, gravou o disco A obra para violão de Paulinho da Viola, disco-brinde nunca relançado em cd. Foi um dos dois maranhenses integrantes, em tempos distintos (o outro foi Joaquim Santos), da Camerata Carioca, do genial Radamés Gnattali, grupamento responsável por inovadoras revoluções na estética musical do choro. Tributo a Jacob do Bandolim (1979) e Vivaldi e Pixinguinha (1980) são alguns dos títulos lançados pela Camerata Carioca tendo Sinhô ao violão. Outros clássicos da música brasileira que contam com a participação especial do músico são Mistura e manda (Paulo Moura, 1983) e Shopping Brazil (Cesar Teixeira, 2004).

Atualmente, diretor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, João Pedro Borges já morou na França, onde realizou concertos em diversos palcos importantes daquele país. Em 2009 realizará 80 apresentações no projeto Sonora Brasil, do SESC. Nestes concertos, o repertório será de temas eruditos.

Sua apresentação no Clube do Choro Recebe trará composições de nomes como Dilermando Reis, João Pernambuco, Heitor Villa Lobos, Paulinho da Viola, Ernesto Nazareth, além de temas autorais, incluindo a valsa Maria Luiza, composta em homenagem à filha do amigo Ricarte Almeida Santos, coordenador do Clube do Choro Recebe e apresentador do Chorinhos e Chorões (domingo, às 9h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz). A apresentação terá participação especial do violonista Luiz Jr.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 74ª. edição.
Quem: o Regional Tira-Teima recebe o violonista João Pedro Borges.
Quando: dia 28 de março (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 6,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM.
Parceria: Solar Consultoria.

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Nota pública

5 março 2009

Tendo em vista as últimas notícias veiculadas nos meios de comunicação acerca de suposta intransigência dos quilombolas de Alcântara em relação ao projeto espacial brasileiro, as entidades abaixo signatárias vêm a público dizer o que segue:
 
1. Não há nenhuma intransigência de quilombolas ou de entidades dos movimentos sociais que atuam em Alcântara, a respeito da implantação do projeto espacial brasileiro;

2. O problema do Ministério da Defesa e da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space não são os quilombos, mas o ordenamento jurídico brasileiro e as normas internacionais de direitos humanos que os protegem.

3.  Desde o início da década de oitenta o Estado brasileiro vem afrontando tais normas e somente a partir do ano de 2.000 os direitos dos quilombolas de Alcântara começaram a ser reconhecidos.

4. Historicamente a relação estabelecida pelo Estado brasileiro inclui a mentira, o não-cumprimento dos acordos, o deslocamento forçado, a destruição das identidades étnicas, a devastação dos recursos naturais) ;

5. Como conseqüência desses atos violentos, 312 famílias foram deslocadas compulsoriamente, perdendo sua soberania alimentar, tendo sua organização social destroçada e sendo impedidas de construir casas para as novas famílias que se formam;

6. Além das violências cometidas nas agrovilas, tais relações ainda se impunham também nos povoados do litoral até o final do ano de 2.008, com a invasão do território quilombola por empresas vinculadas à Alcântara Cyclone Space, que ali realizaram inúmeras perfurações, suprimiram vegetação sem licença do IBAMA, destruíram caminhos, roçados e  margem de rios. Ameaçadas em suas condições de existência as famílias reagiram instalando barreiras, obrigando a empresa a se retirar.

7. Somente com a homologação de um acordo, perante a Justiça Federal, em torno dos limites do território quilombola a ser titulado pelo governo federal, o conflito arrefeceu. As comunidades celebraram a nova postura do governo e a publicação do Relatório de Identificação e Delimitação, pelo INCRA.

8. Depois disso, de maneira inexplicável, representantes do Ministério da Defesa e da Alcântara Cyclone Space passaram a criticar os fundamentos do acordo, hoje decisão judicial transitada em julgado.

9. Ao mesmo tempo, a Alcântara Cyclone Space tentou adentrar o território étnico para fazer estudos ambientais, sem as devidas e necessárias cautelas do diálogo e do direito à informação, com as comunidades e suas entidades de assessoria.

10.  O que ficou claro é que a empresa não pretende dialogar na presença das entidades de assessoria aos quilombolas, numa atitude hostil aos movimentos sociais locais. Tanto é que as comunidades aguardaram inutilmente a empresa para uma reunião no dia 18 de fevereiro.

11. Portanto, não há impasse e nem intransigências, da parte dos quilombolas e dos seus movimentos sociais representativos e muito menos interesses ocultos e escusos, como vem afirmando a empresa e setores do governo na mídia. O que há é a inaceitável falta de capacidade de diálogo por parte de setores do Estado brasileiro.  
 
São Luís/MA, 05 de março de 2.009.
 
– SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS DE ALCÂNTARA
– MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BASE ESPACIAL (MABE)
– MOVIMENTO DAS MULHERES TRABALHADORAS RURAIS DE ALCÂNTARA/MA
– PARÓQUIA DE ALCÂNTARA/MA
– ASSOCIAÇÃO DAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS QUILOMBOLAS (ACONERUQ)
– CENTRO DE CULTURA NEGRA DO MARANHÃO (CCN/MA)
– CONSELHO MUNICIPAL DAS POPULAÇÕES AFRO-DESCENDENTES DE SÃO LUÍS/MA (COMAFRO)
– FÓRUM DE ENTIDADES NEGRAS DO MARANHÃO
– CENTRO DE CONSCIENTIZAÇÃO NEGRA DE PEDREIRAS/MA
– SOCIEDADE MARANHENSE DE DIREITOS HUMANOS (SMDH)
– FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS NA AGRICULTURA DO ESTADO DO MARANHÃO (FETAEMA)
– GRUPO DE ESTUDOS RURAIS E URBANOS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS DA UFMA (GERUR)
– INSTITUTO PÓLIS
– JUSTIÇA GLOBAL
– CENTRO PELO DIREITO À MORADIA CONTRA DESPEJOS (COHRE)

A resposta do MST/MA ao jornal O Globo/RJ

5 março 2009
O jornal O Globo (RJ), publicou na última terça-feira (3), na página 5 da seção O País, o texto abaixo, assinado pelo jornalista Raimundo Garrone.
No Maranhão, MST toma partido de governador
Movimento, que tem contrato com estado e disputa outros 5, mobiliza sem-terra contra cassação de Jackson Lago
 
Raimundo Garrone*
 
SÃO LUÍS. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixou em segundo plano as ocupações de fazendas no Maranhão e se engajou na luta política contra a possível cassação do governador Jackson Lago (PDT), que deverá ter seu caso julgado hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O MST mobiliza centenas de sem-terra para acampar em frente ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual, em defesa de Lago, que pode ter o mandato cassado por abuso de poder econômico.
 
– Não defendemos o governo Jackson, mas a democracia e a vontade popular – diz Maria Divina Lopes, uma das coordenadoras do MST no Maranhão.
 
Maria Divina diz que a mobilização não tem relação com as parcerias do movimento com o governo estadual. Uma delas foi fechada em 2008, na presença de João Pedro Stédile, um dos coordenadores do MST, e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Na ocasião, foi assinado convênio com o governo do Maranhão para a implantação de um projeto de alfabetização de adultos importado de Cuba e da Venezuela – batizado de “Sim, eu posso” – que, segundo o movimento, acabou com o analfabetismo nos dois países.
 
O MST organizou o acampamento nas duas outras sessões que ocorreram para julgar o caso no TSE, adiado devido a pedido de vista e falta de quórum. Em todas essas ocasiões, Stédile participou dos acampamentos.
 
Segundo o relator do processo, ministro Eros Grau, Lago deve perder o mandato e dar posse à segunda colocada nas eleições de 2006, a senadora Roseana Sarney (PMDB). Essa, segundo os integrantes do MST, é outra razão para a defesa de Lago.
 
– Além disso, estamos contra o retorno da família Sarney ao governo do estado, pois, durante os 40 anos de seu domínio, o Maranhão foi completamente arruinado – disse Pedro Alves Barbosa, também coordenador do MST no Maranhão.
 
Para acompanhar o julgamento, o MST mobilizou cerca de 200 sem-terra do interior do estado, que armaram barracas em frente à sede do governo.
 
Após contrato de R$500 mil, MST tenta mais R$2 milhões
O convênio para o programa de alfabetização foi de R$500 mil e, segundo o MST, alfabetizou 1.236 trabalhadores sem- terra, dos 1.546 inscritos em oito meses de projeto em 55 assentamentos e 16 acampamentos no estado. O MST ainda aguarda respostas para outros cinco projetos, no valor total de R$2 milhões, nas áreas de caprinocultura e hortaliças.
 
Maria Divina disse que novas negociações estão sendo feitas com o governo para levar o programa de alfabetização a mais cinco mil sem-terra.
 
Os vídeos com aulas do programa foram produzidos em Cuba, em 2005, por artistas populares brasileiros patrocinados pelo próprio MST. Além de TV e DVD, as aulas são monitoradas por coordenadores que fazem o acompanhamento pedagógico. Sobre os outros cinco projetos nas áreas de caprinocultura e hortaliças, Pedro Alves diz que o MST participou de um edital lançado pelo governo estadual em julho de 2008 para realizar convênios com recursos do Fundo Maranhense de Combate à Pobreza.
 
– Três dos cinco projetos foram devolvidos para ajustes, o que foi devidamente feito ainda no mês de setembro. Mas, até agora, nada – lamenta Pedro Alves.
*Especial para O Globo

“]Matéria na página 5 da seção O País, n'O Globo de terça-feira (3)
Matéria na página 5 da seção O País, n’O Globo de terça-feira (3)

 

Abaixo, a íntegra da carta que o MST/MA enviou à redação e aos editores do jornal:

*

RESPOSTA DO MST/MA AO JORNAL O GLOBO/RJ

O jornal O Globo da última terça-feira (3) publicou, na página 5 da seção O País, matéria intitulada No Maranhão, MST toma partido de governador, assinada pelo jornalista Raimundo Garrone. Com a não-circulação d’O Globo em bancas da capital maranhense (conforme informaram-nos diversos jornaleiros consultados em busca da edição impressa do jornal), tivemos acesso ao texto exclusivamente por e-mail (cópia digitalizada da edição impressa).

O texto não nos causa maiores estranhamentos, por conta do tratamento sempre dispensado pelos meios de comunicação de direita ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST). Inclusive o trecho inicial da matéria – “O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixou em segundo plano as ocupações de terra”… – é um claro exemplo do desconhecimento e preconceito vigentes. Cabe, no entanto, esclarecer alguns pontos:

1) o jornalista induz o leitor a acreditar que a defesa que o MST faz do mandato do governador Jackson Lago (que viria a ser cassado em sessão na mesma data da citada edição do jornal) se dá meramente por interesses pecuniários; conforme explícito noutro ponto da matéria, no depoimento da companheira Maria Divina Lopes, “não defendemos o governo Jackson, mas a democracia e a vontade popular”.

2) o citado convênio com o governo do Estado para o programa “Sim, eu posso”, de alfabetização de adultos, já está encerrado (o texto permite pensar que o mesmo ainda está em curso), com os positivos resultados apontados ao longo da matéria: 1.236 trabalhadores alfabetizados entre os 1.546 inscritos.

3) o MST/MA não tem convênio vigente com o Governo do Estado do Maranhão.

4) entendemos que o jornalista, funcionário da Secretaria de Comunicação do Estado do Maranhão, usou o MST – e informações obtidas junto a ele – para fazer, em âmbito nacional, a defesa intransigente do mandato do governador Jackson Lago, de forma acrítica.

Só nos resta lamentar pelo profissional, pelo veículo e solicitar e esperar que o segundo publique esta carta.

Atenciosamente,

Coordenação
MST/MA